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O Islam, ao lado do Cristianismo,
é a única religião mundial importante que reconhece Jesus. A crença
de um muçulmano está incompleta sem Jesus. O Profeta Muhammad disse:
“Se alguém testemunhar que ninguém tem o direito de ser adorado,
exceto Deus, que Ele não tem parceiros e que Muhammad é Seu servo e
Seu mensageiro; e que Jesus é servo de Deus e Seu mensageiro e Seu
Verbo que Ele concedeu sobre Maria e um Espírito vindo Dele; e que o
Paraíso é verdadeiro e o Inferno é verdadeiro, Deus admitirá no
Paraíso com as boas ações que fez, mesmo se essas ações forem
poucas.” [Saheeh Al-Bukhari]
Em outras palavras, sem uma crença sólida em Jesus, nunca se
conseguirá o Paraíso de Deus. Como com os outros profetas de Deus,
os muçulmanos adicionam ao seu nome alai-his-salam, que significa
“que a paz esteja sobre ele.” [Esse é o significado
“literal”. Os estudiosos com mais conhecimento interpretam como
significando “que Deus o mantenha a salvo de todo o mal."]
Embora Jesus tenha dito: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” [João
14:27] no Evangelho, os cristãos raramente usam
qualquer termo honorífico, exceto “Cristo”, e isso como parte de seu
nome. Embora isso possa ser devido à idéia de que o cristão não ora
por ele, mas para ele, demonstra que os muçulmanos têm um grande
respeito por ele, apesar de não compartilharem esse ponto de vista.
O Alcorão é a escritura sagrada do Islã e nele mais de noventa
versículos espalhados em quinze capítulos do Alcorão discutem Jesus.
Três capítulos do Alcorão são nomeados por suas referências a Jesus:
o terceiro capítulo do Alcorão, “A Família de Imran”, tem esse nome
por causa do pai de Maria; o quinto capítulo, “A Mesa Servida”,
provavelmente recebeu esse nome por causa da última ceia. Por fim, o
capítulo dezenove recebeu seu nome por causa de Maria.
Seu Nome no Alcorão
Em árabe Jesus é conhecido como Issa. Em dezesseis das 25 passagens
no Alcorão onde Issa é usado, ele é chamado “o filho de Maria” (Ibn
Mariam). Como não teve pai, recebeu o nome de sua mãe. [A
Bíblia se refere a Jesus como o “filho de Maria” (Marcos 6:3): “Não
é este o carpinteiro, filho de Maria...”]
Os Títulos Descritivos de Jesus no Alcorão:
(1) O Messias
Antes do aparecimento de Jesus a crença na vinda do Messias era uma
parte básica e fundamental do Judaísmo tradicional. É parte dos
Treze Artigos de Fé de Maimônides que são considerados os requisitos
mínimos da crença judaica.[“12. Eu firmemente acredito na
vinda do Messias; e embora Ele possa tardar, espero diariamente por
Sua vinda. The Jewish Encyclopedia (A Enciclopédia Judaica) (http://www.jewishencyclopedia.com)]
Na oração Shemoneh Esrei[ “Dê-nos entendimento, Ó Eterno,
nosso Deus, para conhecer Tuas maneiras e circuncise nosso corações
para temer-Te; e perdoe-nos para que sejamos redimidos. E remova
nossa dor física; e nos enriqueça com a fertilidade de Tua terra; e
reúna nossos dispersos dos quatro cantos da terra; e se eles se
desviarem do Teu conhecimento que sejam julgados; e sobre os
malfeitores erga Tua mão, mas que os virtuosos possam jubilar na
construção da Tua cidade e na refundição do Teu Templo e na criação
de uma trompa para Davi Teu servo e na preparação de uma luz para o
filho de Jessé, Teu Messias. Antes de chamarmos Tu responderás.
Abençoado sejas Tu, Ó Eterno, que ouve as súplicas”. The Jewish
Encyclopedia (http://www.jewishencyclopedia.com).],
recitada três vezes por dia, os judeus modernos oram para que o
Messias que será seu rei da linha de Davi venha e restaure as
glórias de sua era dourada. Em hebraico “Messias” significa o
“ungido”. É interessante notar que a profecia do Velho Testamento
enfatiza a humanidade do Messias referindo-se a ele como o “filho do
homem” (Daniel 7:13)[“Eu estava olhando nas minhas visões
noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de
homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante
dele.”] e não como Deus.
A ideologia do Messias tem uma posição central na teologia cristã.
De acordo com a Bíblia, Jesus reivindicou ser o Messias esperado dos
judeus (João 4:25-26) [“(6) Replicou-lhe a mulher: Eu sei que
vem o Messias (que se chama o Cristo); quando ele vier há de nos
anunciar todas as coisas.” (7) “Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que
falo contigo.”] , mas eles o rejeitaram.
Conseqüentemente os cristãos aplicaram “Cristo” - a palavra grega
para “Messias” - a Jesus. Além disso, também mantêm que o Messias
seria o filho de Deus.
O Alcorão corrige os judeus e cristãos em seus excessos. Considera
que os judeus estão corretos em acreditarem que o Messias seria
humano, mas equipara sua rejeição de Jesus à descrença:
E por blasfemarem e dizerem graves calúnias acerca de Maria. E por
dizerem: Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de
Deus, embora não sendo, na realidade, certo que o mataram, nem o
crucificaram, senão que isso lhes foi simulado. E aqueles que
discordam, quanto a isso, estão na dúvida, porque não possuem
conhecimento algum, abstraindo-se tão-somente em conjecturas; porém,
o fato é que não o mataram.” (Alcorão 4:156-157)
Por outro lado, o Alcorão concorda com os cristãos que identificam
Jesus com o Messias, mas considera a insistência deles de que o
Messias é o filho de Deus uma blasfêmia:
“São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria.”
(Alcorão 5:72)
A verdade, de acordo com o Alcorão, é que:
“O Messias, filho de Maria, não é mais do que um mensageiro, do
nível dos mensageiros que o precederam.” (Alcorão 5:75)
Além disso, o Alcorão afirma que o Messias chamou para a adoração do
“verdadeiro Deus”, como todos os profetas antes dele:
“... o Messias disse, ‘Ó Filhos de Israel, adorai a Deus, meu Senhor
e vosso Senhor.’” (Alcorão 5:72)
O Alcorão se refere a Jesus como o Messias (al-Massih) pelo menos
nove vezes.[ Alcorão 3: 45, 4: 157, 171, 172, 5: 17, 72, 75;
9: 30, 31.] Uma das explicações dadas pelos
lexicógrafos é que Jesus era o Messias porque ungiu os olhos do cego
para curá-los (Alcorão 3:43; Marcos 6:13; Tiago 5:14) ou porque
costumava impor as mãos sobre os doentes.
(2) Sinal
O Alcorão descreve Jesus como sendo um “Sinal” uma ayah no Alcorão.
Na terminologia do Alcorão um milagre é um “sinal” de Deus para
mostrar poder divino e habilidade irrestrita de fazer ações fora da
cadeia de causa e efeito. Nesse sentido, o nascimento virginal de
Jesus é um milagre; uma maravilhosa demonstração do poder grandioso
de Deus de fazer o que deseja. Conseqüentemente, Jesus é um “sinal”
não somente para os israelitas, mas para o mundo todo:
“E fizemos do filho de Maria e de sua mãe sinais.” (Alcorão 23:50)
“Fizemos dele um sinal para os homens...” (Alcorão 19:21)
“...fazendo dela e de seu filho sinais para a humanidade.” (Alcorão
21:91)
Em acréscimo o Alcorão declara a segunda vinda de Jesus como um
“sinal”, um anúncio de que o Dia do Juízo está próximo: “E (Jesus)
será um sinal (do advento) da Hora. Não duvideis, pois, dela, e
segui-me, porque esta é a senda reta.” (Alcorão 43:61)
(3) “Verbo” de Deus
O Alcorão se refere a Jesus como um “Verbo” de Deus em três
passagens. Nenhum outro profeta foi descrito com esse título.
“Ó Maria! Por certo que Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será
o Messias, Jesus, filho de Maria...” (Alcorão 3:45)
“O Messias, Jesus, filho de Maria, foi tão-somente um mensageiro de
Deus e Seu Verbo, com o qual Ele agraciou Maria...” (Alcorão 4:171)
“... Deus te anuncia o nascimento de João, que corroborará o Verbo
de Deus,...” (Alcorão 3:39)
Os cristãos acreditam que no primeiro capítulo do evangelho de João
Jesus é identificado como “o Verbo” (logos em grego) encarnado, ou
feito carne. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e
o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio
de graça e de verdade...”
A idéia cristã do logos é completamente diferente do entendimento
islâmico simples do “Verbo”. A idéia do grego logos pode ser traçada
até o filósofo do século 6 antes de Cristo, Heráclito. Ele propôs
que havia um logos no processo cósmico análogo ao poder de
raciocínio no homem. O filósofo judeu que falava grego, Filo de
Alexandria (15 AC - 45 EC) ensinou que o logos era o intermediário
entre Deus e o cosmos..Os escritos de Filo foram preservados e
apreciados pela Igreja e forneceram a inspiração para a sofisticada
teologia filosófica cristã. “A identificação de Jesus com o logos...
foi posteriormente desenvolvida na igreja primitiva, mas com mais
base nas idéias filosóficas gregas do que nos temas do Velho
Testamento. Esse desenvolvimento foi ditado por tentativas feitas
pelos teólogos e apologistas cristãos primitivos para expressar a fé
cristã em termos que seriam inteligíveis para o mundo helenístico e
impressionar seus ouvintes com a visão de que o Cristianismo era
superior, ou o herdeiro, do melhor na filosofia pagã.”[“logos.”Encyclopædia
Britannica de Encyclopædia Britannica Premium Service. (http://www.britannica.com/eb/article-9048773)]
O Islã fornece explanação clara de como Jesus era um “Verbo” de
Deus. Mas primeiro o processo de procriação humana deve ser
entendido. O Poder de Deus está por trás de tudo. Toda vez que Deus
decide fazer algo, como dar vida ou causar morte, Ele diz a palavra
“Seja” e acontece:
“Ele é Quem dá a vida e a morte e , quando decide algo, diz somente:
Seja!, e é.” (Alcorão 40:68)
O primeiro passo na procriação humana é a união biológica entre as
células reprodutivas do homem e da mulher, além da vontade de Deus.
Como Jesus nasceu sem um pai, não foi concebido por células de
esperma masculino. Ao invés disso, sua criação, semelhante a de
Adão, é atribuída exclusivamente ao Verbo de Deus, “Seja”. Deus diz:
“O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, que Ele criou
do pó, então lhe disse: Seja! e foi.” (Alcorão 3:59)
O Alcorão dá detalhes da concepção de Jesus. Maria não engravidou de
um homem. O anjo Gabriel, chamado no Alcorão de Espírito, trouxe a
alma de Jesus - a alma dele foi criado por Deus como as outras almas
humanas - para soprar em Maria. Ao ver o anjo, ela se expressou com
surpresa:
“Meu Senhor, disse Maria, como poderei ter um filho se nenhum homem
me tocou?’” (Alcorão 3:47)
O anjo respondeu:
“Assim será. Deus cria o que deseja, posto que quando decreta algo,
diz: Seja! e é.” (Alcorão 3:47)
Gabriel então soprou a alma de Jesus em Maria “a qual alentamos com
o Nosso Espírito”. (Alcorão 66:12)
Em essência, Jesus é “Verbo” de Deus porque passou a existir pela
Palavra de Deus - “Seja” - como o Alcorão descreve em outra
passagem:
“Seu Verbo, com o qual Ele agraciou Maria...” (Alcorão 4:171)
(4) “Espírito” de Deus
No Alcorão Deus atribui certas criações a Si Próprio como uma forma
de respeito e honra. Por exemplo, Deus chama a sagrada mesquita em
Meca de “Minha Casa” como forma de veneração. Deus diz:
“E estipulamos a Abraão e a Ismael, dizendo-lhes: “‘Purificai Minha
Casa, para os circundantes (da Caaba), os retraídos, os que
genuflectem e se prostram.’” (Alcorão 2:125)
O Alcorão descreve Jesus como um “Espírito” que vem de Deus:
“Maria, a quem alentamos com o Nosso Espírito.” (Alcorão 21:91)
“... um Espírito criado por Ele.” (Alcorão 4:171)
“...a qual alentamos com o Nosso Espírito.” (Alcorão 66:12)
Jesus era um espírito ou, mais corretamente, uma alma criada por
Deus, trazida por Gabriel, um anjo poderoso de Deus e soprou em
Maria:
“...a qual alentamos com o Nosso Espírito.” (Alcorão 66:12)
Jesus não era uma “parte”, “pessoa” ou “atividade” de Deus que se
separou e habitou em Maria. É chamado um “Espírito” de Deus como um
símbolo de respeito e honra, não de divindade.
Da mesma forma, Deus também dá a Adão essa característica de ser Seu
espírito. Deus disse quando ordenou aos anjos para se prostrarem
para Adão na sua criação:
“Quando o tiver plasmado e alentado com o Meus Espírito,
prostrai-vos ante ele.” (Alcorão 38:72)
De fato Jesus recebe uma posição honrada no Alcorão é recebeu certos
títulos e descrições que não foram dados a outros profetas, mas isso
de forma alguma deve fazer uma pessoa acreditar que Jesus foi algo
mais que um mortal. Isso pode ser resumido no seguinte versículo no
qual Deus diz:
“Ó povo do Livro (cristãos e judeus)! Não exagereis em vossa
religião e não digais de Deus senão a verdade. O Messias, Jesus,
filho de Maria, foi tão-somente um mensageiro de Deus e Seu Verbo,
com o qual Ele agraciou Maria por intermédio do Seu Espírito. Crede,
pois, em Deus e em Seus mensageiros e não digais: Trindade!
Abstende-vos disso, que será melhor para vós; sabei que Deus é Uno.
Glorificado seja! Longe está a hipótese de ter tido um filho. A Ele
pertence tudo quanto há nos céus e na terra, e Deus é mais do que
suficiente Guardião.” (Alcorão 4:171) |