Em Nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso!


Jesus um Profeta de Allah!


4 - O Regresso de Jesus (as) à Terra 

Jesus (as) Regressará à Terra

  Com base no que até aqui tem sido referido, é evidente que Jesus (as) não morreu, mas que foi elevado à presença de Allah. Contudo, há um ponto sublinhado pelo Alcorão: o de que Jesus (as) regressará à Terra.

  O Alcorão declara explicitamente o regresso de Jesus (as) à terra.

A Surah Al ‘Imran:55 é um dos versículos que indicam que Jesus (as) regressará à terra:

  “Quando Allah disse: “Ó Jesus! Na verdade, tomar-te-ei, e elevar-te-ei até Mim, e purificar-te-ei dessses que descrêem; e colocarei os que te seguem acima dos descrentes, até ao Dia da Ressurreição: então todos voltareis junto de Mim, e julgarei entre vós as questões para quais divergis”. (Surah 3, Al ‘Imran: 55)

O referido no versículo, “e colocarei os que te seguem acima dos descrentes, até ao Dia da Ressurreição” é importante. Há aqui referência a um grupo estrito que aderiu a Jesus (as), e que se manterá acima dos descrentes até ao Dia do Juízo Final.

Bem, quem são estes seguidores, então? São estes os discípulos que viveram no tempo de Jesus, ou serão os Cristãos de hoje?

Durante a sua vida, os seguidores de Jesus (as) foram poucos. Após a sua morte, a essência da religião rapidamente se degenerou. Além disso, as pessoas conhecidas como os discípulos, enfrentaram sérias pressões durante as suas vidas.

Durante os dois séculos que se sucederam, sem possuírem poder político algum, estes Cristãos que acreditavam em Jesus (as) viram-se também oprimidos. Neste caso, não é possível dizer que os primeiros Cristãos, ou os seus sucessores, durante estes períodos eram fisicamente superiores aos descrentes no mundo. Podemos, logicamente, pensar que este versículo não se refere a eles.

  Por outro lado, quando olhamos para os Cristãos de hoje, verificamos que a essência da Cristandade mudou imenso, e que é muito diferente da que, originalmente, Jesus (as) trouxe à humanidade.

Os Cristãos abraçaram a ideia pervertida que surgiu de que Jesus (as) é o filho de Deus e, similarmente, a doutrina da trindade (O Pai, o Filho e o Espírito Santo). Neste caso, é errado aceitar os Cristãos de hoje como os seguidores de Jesus (as).

 Em muitos versículos do Alcorão, Allah refere que aqueles que acreditam na trindade são, com certeza, descrentes:

  “São descrentes os que dizem: “Na verdade, Allah é um dos três da Trindade”: pois não há divindade alguma além do Deus Único”. (Surah 5, Al-Ma’idah: 73)

Neste caso, o comentário à afirmação: “E Eu colocarei os que te seguem acima dos descrentes, até eo Dia da Ressurreição” é o seguinte: primeiro, é dito que estas pessoas são os Muçulmanos, que são os únicos seguidores verdadeiros dos ensinamentos autênticos de Jesus (as); segundo, é dito que estas pessoas são os Cristãos, quer estes tenham ou não abraçado crenças idólatras, o que pode ser visto como estando confirmado pela posição dominante que Cristãos nominais mantêm actualmente na terra. Contudo, ambas as posições serão unificadas pela chegada de Jesus (as), uma vez que este abolirá o jizyah, o que significa que ele não aceitará que Cristãos e Judeus sigam uma outra religião que não o Islão e, deste modo, unirá todos os crentes como Muçulmanos.

  O Profeta e último Mensageiro de Allah (saw), trouxe também a boa nova do regresso de Jesus (as). Os eruditos dos ahadice (citações dos ditos e das tradições do Profeta Muhammad) dizem que os ahadice a este respeito, no qual o Mensageiro de Allah (saw) disse que o Profeta Jesus (as) descerá entre os povos como um líder antes do Dia do Juízo Final, alcançaram o estatuto de mutawatir. Isto significa que foram referidos por tantas pessoas de diferentes gerações, a partir de um grande grupo dos Companheiros, que não se pode de forma alguma duvidar da sua autenticidade. Por exemplo:

  Abu Hurairah (ra) referiu que o Mensageiro de Allah, que a paz esteja com ele, disse: “Por Aquele em Cujas Mãos está aminha alma, certamente que o filho de Mariam em breve descerá entre vós como um juiz justo, e quebrará a cruz, matará o porco e abolirá o jizyah, e a riqueza será tão abundante que ninguém a aceitará, até uma única prostração será melhor do que o mundo e tudo nele”. (Sahih al-Bukhaari)

  Jabir ibn ‘Abdullah disse: “Ouvi o profeta, que Allah o abençoe e lhe conceda a paz, dize: “Uma parte da minha ummah munca parará de lutar vitoriosamente pela verdade até ao Dia do Juízo Final”. Ele disse, “Então, ‘Issa ibn Maryam (Jesus), que a paz esteja com ele, descerá e o seu emir dirá: “Vem e guia-nos na oração,” mas ele responderá, “Não! Alguns de vós sois emires sobre outros”, conforme demonstradores de honra de Allah a esta ummah.”  (Sahih Muçlim)

Abu Hurairah (ra) contou, “O Profeta, que a paz esteja com ele, disse: “Não existe profeta algum entre mim e ele, isto é, ‘Issa, que a paz esteja com ele. Ele descará (à terra). Quando o virdes, reconhecei-o: um homem de estatura média, face corada, que usa duas vestes de amarelo vivo, parecendo pingar da sua cabeça embora ele não esteja molhado. Ele desafiará as pessoas para a causa do Islão. Ele quebrará a cruz, matará o porco e abolirá o jizyah. Allah fará parecer todas as religiões com excepção do Islão. Ele destruirá o Dajjal e viverá na terra por quarenta anos e, então, morrerá. Os Muçulmanos rezarão por ele”. (Abu Dawud)

Inicialmente nesta seção, analisamos os versículos 157-158 da Surat an-Nissa’. Precisamente a seguir a estes versículos, Allah refere o seguinte na Surat an Nisa:159:

  “E ninguém, nos Povos do Livro, deixará de crer nele, antes de sua morte; e no dia da Ressurreição ele será uma testemunha contra eles”. (Surah 4, An Nissa’: 159)

O em cima referido “ninguém deixará de crer nele, antes da sua morte” é importante.

  Alguns eruditos referiram que o “ele” deste versículo é usado para o Alcorão e, desta forma, chegaram à seguinte interpretação: não existirá ninguém de entre o povo do Livro que não tenha fé no Alcorão antes de (uma pessoa de entre povo do livro) morrer.

  Não obstante, nos versículo 157 e 158, que são os dois versículos procedentes a este, o mesmo “ele” é indubitavelmente usado para Jesus (as) :

  “E por dizerem: “Nós matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, Mensageiro de Allah”  mas eles não o mataram, nem o crucificaram, apenas isso lhes foi simulado. E aqueles que discordam quanto a isso, estão na dúvida, pois não possuem conhecimento algum, e apenas fazem conjecturas; e o facto é que eles não o mataram. (Surah 4, An-Nissa’: 157)

“Outrossim, Allah elevou-o até Ele; E, na verdade, Allah é Poderoso e Sábio”. (Surah 4, An-Nissa’: 158)

Precisamente a seguir a estes versículos na Surat an-Nissa’: 159, não existe nenhuma prova que indique que o “ele” é usado para referir outro que não Jesus (as):

  “E ninguém, nos Povos do Livro, deixará de crer nele, antes da sua morte; e no dia da Ressurreição ele será uma testemunha contra eles”. (Surah 4, An Nissa’: 159)

No Alcorão, Allah informa-nos que no Dia do Juízo Final, as “línguas, mãos e pés testemunharão contra eles a respeito do que fizeram. (Surah 24, An-Nur:24 e Surah 36, Yá-Sin:65).

 A partir da Surah 41, Fussilat:20-23, aprendemos que “a audição, a vista e a pele testemunharão contra nós.”

Contudo, em nenhum dos versículos existe referência ao “Alcorão como uma testemunha”. Se aceitarmos que o “ele” da primeira frase se refere ao Alcorão embora gramaticalmente ou logicamente nós não tenhamos qualquer evidência então devemos também aceitar que o “ele” no segundo comentário também se refere ao Alcorão. Para aceitar isto, contudo, deveria existir um versículo explícito a confirmar este ponto de vista. Contudo, o comentador Ibn Juzayy não menciona a possibilidade do Alcorão ser o “ele” referido, e Ibn Juzayy transmite as concepções de todos os principais comentadores na sua obra.

  Quando nos referimos so Alcorão, vimos que quando o mesmo pronome pessoal é usado para o Alcorão, geralmente há menção ao Alcorão antes e após esse versículo específico, como nos casos das Surah 27, An-Naml:77 e Surah 26, Ach-Chu’ara:192-196.

O versículo define diretamente que o Povo do Livro terá fé em Jesus (as) e que ele Jesus (as) será uma testemunha contra eles.

  O segundo ponto é relativo à interpretação da expressão “antes dele morrer”. Alguns pensam que isto é “ter fé em Jesus (as) antes da sua própria morte.”

De acordo com esta interpretação, todos de entre o povo do Livro acreditarão definitivamente em Jesus (as) antes de enfrentarem a sua própria morte.

No tempo de Jesus, contudo, os Jodeus, definidos como o povo do Livro, não só não tinham fé em Jesus, como tentaram também matá-lo. Por outro lado, não seria razoável dizer que Judeus e Cristãos que viveram e morreram após a época de Jesus têm fé nele o tipo de fé descrito no Alcorão.

  Para concluir, quando fazemos uma estreita avaliação do versículo, chegamos à seguinte conclusão: antes da morte de Jesus (as), todo o Povo do Livro terá fé nele. (2)

  No seu verdadeiro sentido, o versículo revela fatos planeados, que são os seguintes:

  Em primeiro lugar, é evidente que o versículo se refere ao futuro, porque menciona a morte de Jesus (as). Contudo, Jesus (as) não morreu mas foi elevado à presença de Allah. Jesus (as) regressará de novo à terra, viverá por um tempo especificado e, então, morrerá.

  Em segundo lugar, todos os povos do Livro terão fé nele. Este é um acontecimento que ainda não ocorreu, mas que definitivamente acontecerá no futuro.

Consequentemente, pela expressão “antes dele morrer”, há uma referência a Jesus (as). O povo do Livro vê-lo-á, conhecê-lo-á e obedecer-lhe-á enquanto ele estiver vivo. Entretanto, Jesus (as) testemunhará contra eles no Último Dia. Allah, seguramente, é Quem melhor o sabe.

  Que Jesus (as) regressará à terra aquando do fim dos tempos está referido num outro versículo na Surah 43, Az-Zukhruf: 61.

  Recuando até à Az-Zukhruf: 57, há referência a Jesus (as):

  “E quando é dado como exemplo o filho de Maria (Jesus), eis que o teu povo o escarnece! E dizem: Porventura, nossas divindades não são melhores do que ele? Porém, tal não aventaram, senão com o intuito de disputa. Esses são os litigiosos!

Ele (Jesus) não é mais do que um servo sobre quem lançámos a Nossa benção, e do qual fizemos um exemplo para os israelitas.

E, se quiséssemos, teríamos feito a vossa prole de anjos, para que vos sucedessem na terra”. (Surah 43, Az-Zukhuruf: 57-60)

Precisamente a seguir a estes versículos, Allah declara que Jesus (as) será um sinal do Dia do Juízo Final:

“E ele (Jesus) será um sinal (do advento) da Hora. Não duvideis, pois, dela, e segui-me, porque esta é a senda reta”. (Surah 43, Az-Zukhuruf: 61)

  Ibn Juzayy refere que o principal significado deste versículo é o de que Jesus (as) é um sinal ou uma condição prévia da Última Hora. Podemos dizer que este versículo é uma indicação clara de que Jesus (as) regressará à terra no fim dos tempos.

Isto deve-se ao facto de Jesus (as) ter vivido seis séculos antes da revelação do Alcorão.

Consequentemente, não podemos interpretar a sua primeira vinda como um sinal do Dia do Juízo Final. O que este versículo realmente indica é que Jesus (as) regressará à terra aquando do fim dos tempos. Isto é, durante o último período de tempo que antecede o Dia do Juízo Final, e isto será um sinal do Dia do Juízo Final. Allah certamente é Quem melhor e sabe.

  O Arábico do versículo “Ele será um Sinal da Hora” é “Innahu la ‘ilmun li’s-sa-‘ati...” Algumas pessoas interpretam o pronome “hu” (ele) neste versículo como sendo o Alcorão. Contudo, os versículos precedentes indicam explicitamente que Jesus (as) está mencionado no versículo: “Ele não é mais do que um servo sobre quem lançámos a Nossa benção, e do qual fizemos um exemplo para os israelitas.”

  Em Sahih Muslim, é também referido que os ahadice onde é dito que o Profeta Jesus (as) descerá entre as pessoas no fim dos tempos, alcançou o estado de mutawatir, i.é, o de ser narrado por tantas pessoas de cada geração que não é possível haver qualquer dúvida da sua autenticidade, e que é referido como sendo um dos maiores sinais do Dia do Juízo Final. (Sahih Muslim, 2/58)

  Hudhayfah ibn Usayd al-Ghifari disse: “O Mensageiro de Allah (saw) chegou junto de nós inesperadamente, enquanto estávamos envolvidos numa discussão. Ele perguntou: “O que estão a discutir?” Nós respondemos: “Estamos a discutir a Última Hora.” A este respeito, ele disse: “Não chegará até que vejam dez sinais que a precedem – e (nesta conexão) ele mencionou o fumo, o Dajjal, a besta, o nascer do sol a oeste, a descida de ‘Issa o filho de Maryam (as), Yajuj e Majuj, e deslizamentos de terra em três locais, um a oriente, outro a ocidente e um outro na Arábia, no fim dos quais o fogo brotará fortemente do Yemen, e conduzirá as pessoas ao local da sua reunião”. (Sahih Muslim)

  Um outro versículo que indica a segunda vinda de Jesus (as) é o seguinte:

“E quando os anjos disseram: “Ó Maria! Na verdade, Allah dá-te boas novas de uma Palavra Sua: o seu nome será Messias, Jesus (Issa), filho de Maria, ilustre neste mundo e no outro, e um dos mais próximos de Allah. Ele falará às pessoas, ainda no berço, bem como na maturidade. E pertencerá ao número de justos. Ela disse: “Ó meu Senhor! Como poderei ter um filho se nenhum homem me tocou? Ele disse: “Assim é: Allah cria o que deseja; quando Ele ordena uma coisa, apenas diz: “Sê”, e ela acontece”. “E Ele ensinar-lhe-á o Livro, a Sabedoria, a Tora e o Evngelho...”. (Surah 3, Al ‘Imran: 45-48)

  No versículo, é anunciado que Allah instruirá Jesus (as) a respeito do Injil (evangelho), da Tora e do “Livro”. Sem dúvida alguma, este livro em questão é muito importante. Encontramos a mesma expressão na Surah 5, Al-Ma’idah:110:

  “Então, Allah dirá: “Ó Jesus, filho de Maria! Recorda o Meu favor para ti e tua mãe; de como te fortaleci com o Espírito Sagrado, para que pudesses falar aos homens no berço e na maturidade; e como te ensinei o Livro e a Sabedoria, a Tora e o Evangelho; e como tu moldaste o barro dando-lhe uma forma de ave, com Minha permissão...”. (Surah 5, Al-Ma’idah:110)

Quando analisamos o “Livro” em ambos os versículos, vimos que pode indicar o Alcorão. Em primeiro lugar, existe apenas um livro divino conhecido na terra, para além da Torah, do Zabur e do Injil.

Além disso, num outro versículo do Alcorão, a seguir à Torah e ao Injil, a palavra “Livro” é usada para indicar o Alcorão:

“Allah! Não há outra divindade além d’Ele, o Vivo, o Absoluto. Ele revelou-te o Livro com a verdade, confirmando os que o precederam; e revelou a Tora e o Evangelho, anteriormente, para servir de orientação aos humanos; e revelou (agora) o Al Furqán (o Critério de julgamento entre o bem e o mal)”.  (Surah 3, Al ‘Imran: 2-4)

Neste caso, podemos perfeitamente considerar que o terceiro livro que será ensinado a Jesus (as), será o Alcorão, e podemos supor que isto apenas será possível se ele vier à terra no fim dos tempos. Jesus (as) viveu 600 anos antes da revelação do Alcorão e não é provável que ele conhecesse o Alcorão antes deste ser revelado. Neste caso, que ele aprenderá o Alcorão durante a sua segunda permanência na terra, será uma explicação rezoável.

  Isto está também explicado num hadice (singular de ahadice):

  Abu Hurairah (ra) contou que o Mensageiro de Allah, que a paz esteja com ele, disse: “Por Aquele em Cujas Mãos está a minha alma, definitivamente o filho de Maryam brevemente descerá entre vós como um juiz justo, e ele quebrará a cruz, matará oporco e abolirá o jizyah, e a riqueza será tão abundante que ninguém a aceitará, até que uma simples prostração será melhor do que o mundo e tudo que está nele”.   (Sahih al-Bukhaari)

  Os ‘ulama (eruditos Islâmicos) dizem que, neste hadice, o significado de a sua ação ser idêntica à de um juiz justo, é o de que ele julgará segundo a lei do Islam, i.é., segundo os julgamentos do Livro de Allah, o Alcorão, e da Sunnah do Último Mensageiro de Allah, Muhammad, que Allah o abençoes e lhe conceda a paz. Certamente, Allah é Quem melhor o sabe.

  Como se vê, os versículos a respeito do regresso de Jesus (as) à terra são muito explícitos e extraordinários. Nenhumas observações similares são feitas por qualquer outro profeta mencionado no Alcorão. Além disso, nenhum outro profeta é referido como “um Sinal de Hora”, e nenhum outro comentário, usado para qualquer outro profeta no Alcorão, inclui qualquer conotação que implique o seu regresso à terra. Contudo, todas estas observações são usadas para Jesus (as). O significado disto é muito claro.

Existem, no Alcorão, Outros Exemplos de Pessoas que Deixaram o Mundo e Regressaram Após Centenas de Anos

  Uma destas pessoas é um homem que permaneceu morto durante um século. Isto é referido na Surat al-Baqarah:

  “Ou não viste aquele que, ao passar por uma cidade em ruínas, exclamou: “Como poderá Allah ressuscitá-la depois da sua morte?” Então Allah fê-lo morrer por cem anos; depois o ressuscitou e lhe perguntou: Quanto tempo permaneceste aqui (assim)? Ele disse: Permaneci um dia ou parte dele. (Allah) disse-lhe: Não; tu permaneceste aqui cem anos. Observa a tua comida e a tua bebida; constata que ainda não se deterioraram. Agora observa teu asno (não resta dele mais do que a ossada); isto é para fazer de ti um exemplo para os humanos. Observa como dispomos os seus ossos e em seguida os revestimos de carne. Diante da evidência, exclamou: Reconheço (agora) que Allah é Onipotente!”  (Surah 2, Al-Baqarah: 259)

Nos versículos referidos nos páginas anteriores, é referido o facto de que Jesus (as) não morreu, mas que foi “elevado”. Contudo, no versículo em cima referido, o homem morreu definitivamente. Consequentemente, até mesmo uma pessoa morta pode de novo erguer-se por vontade de Allah. Isto está explicitamente referido no Alcorão. Existem outros exemplos similares no Alcorão.

  Um outro exemplo é referido na história dos “Companheiros da Caverna”, a qual é relatada na Surat al-Kahf.

  Allah refere a história de um grupo de jovens forçados a refugiarem-se, numa caverna, da cruel tirania do imperador da época. É dito que eles adormeceram e despertaram após anos de sono. Os versículos em causa são os seguintes:

  “Recorda de quando um grupo de jovens se refugiou na caverna, dizendo: “Ó Senhor nosso, concede-nos a Tua misericórdia, e reserva-nos um bom êxito em nossa empresa!” Adormecemo-los na caverna durante anos”. (Surah 18, Al-Kahf: 10-11)

“(Se os houvesses visto), terias acreditado que estavam despertos, apesar de estarem dormindo, pois Nós os virávamos, ora para a direita, ora para a esquerda, enquanto o seu cão dormia, com as patas estendidas, na entrada da caverna. Sim, se os tivesses visto, terias retrocedido e fugido, transido de espanto!

E eis que os despertamos para que se interrogassem entre si. Um deles perguntou: Quanto tempo permanecestes aqui? Responderam: Estivemos um dia, ou parte dele! Outros disseram: Nosso Senhor sabe melhor do que ninguém o quanto permanecestes. Enviai à cidade alguns de vós com este dinheiro; que procure o melhor alimento e vos traga uma parte; que seja afável e não inteire ninguém a vosso respeito”.  (Surah 18, Al-Kahf:18-19)

O Alcorão não explica com exactidão quanto tempo os jovens passaram na cave. Em vez disso, a duranção deste período é indicada pelas palavras “durante vários anos”. Contudo, o palpite de pessoas desta época era muito elevado: 309 anos. Allah diz:

“Eis que permaneceram na caverna trezentos e nove anos.

Dize-lhes: “Allah sabe melhor do que ninguém o quanto permaneceram, porque é Seu o mistério dos céus e da terra. Quão perfeito Ele é de vista e apurado de ouvido! Eles não têm, em vez d’Ele, protector algum, e Ele não divide com ninguém o seu comando”. (Surah 18, Al-Kahf:25-26)

Certamente, o que importa aqui não é se este período é curto ou longo. O que importa é que Allah tomou algumas pessoas, quer fazendo-as dormir, ou simplesmente levando-as a morrer por um período particular de tempo e, em seguida, devolveu-as de volta à vida. Exatamente como pessoas que acordam de um sono. Allah deu-lhes vida de novo. Jesus (as) é uma destas pessoas e, no momento devido, ele viverá de novo neste mundo. Após cumprir a sua tarefa, ele morrerá exactamente como qualquer outro ser humano, de acordo com o mandamento do versículo no qual Ele disse: “Lá vós vivereis e lá vós morrereis; e de lá vós sereis trazidos um dia”.    (Surah 7, Al-A’raf: 25)

5 - Jesus (as) na Coleção Rissale-i-Nur

  Na coleção Rissale-I-Nur, um comentário Alcorânico escrito por Said Nursi, também conhecido como Bediuzzaman (A Maravilha da Idade), um dos maiores letrados Islâmicos do século XX, existe referência extensiva ao fim dos tempos e à segunda vinda de Jesus (as).

  É um fato que as comunidades Muçulmanos atuais abraçam diferentes pensamentos. Contudo, um grande número de Muçulmanos de diferentes culturas concordam que Bediuzzaman foi um dos maiores eruditos do século XIII (Calendário Islâmico). É por isso que as descrições detalhadas do fim dos tempos de Bediuzzaman são de grande importância para todos os Muçulmanos.

  Nas suas explicações respeitantes ao fim dos tempos, Bediuzzaman diz que dois movimentos filosóficos, descritos como sérios esforços para estabelecerem a descrença, provocariam a desordem à face de terra. O primeiro seria uma dissimulada ameaça ao Islam, enquanto o segundo rejeitaria abertamente a existência de Allah.

A segunda corrente é composta de formas de compreensão metarialistas e naturalistas, que afirmam que a matéria é um ser absoluto, que existe desde e eternidade e que existirá até à eternidade. Os dois movimentos asseguram também que os seres vivos surgiram de forma acidental a partir de matéria não-viva. (O naturalismo é conhecido como a dimensão filosófica da teoria da evolução de Darwin).

  Esta definição proporciona seguramente a base de todas as ideologias que negam a existência de Allah. Desde os primeiros tempos que os materialistas se opõem a todas as religiões reveladas por Allah, lutando contra os que as apoiam, oprimindo as pessoas, travando guerras e abrindo caminho a toda a espécie de degeneração na sociedade.

  Também Jesus (as), na sua segunda vinda à terra, lutará contra estes movimentos materialistas e naturalistas e, por vontade de Allah, triunfará sobre eles. Nos seus livros, Bediuzzaman chama a atenção para o movimento materialista, assim:

   A Segunda Corrente: Uma corrente tirânica, nascida da filosofia Naturalista e Materialista, de forma gradual tornar-se-á forte e expandir-se-á no fim dos tempos por meio da filosofia materialista, alcançando um estádio tal que negará Deus.

  Bediuzzaman anuncia que Jesus (as) regressará num período em que a descrença dominará a terra. Conforme referido pelas seguintes palavras de Bediuzzaman, na sua segunda vinda à terra, Jesus (as) governará de acordo com o Alcorão e eliminará todo o fanatismo da Cristandade. Unido-se contra a descrença, Cristãos, que haviam abraçado o Islam, e Muçulmanos, prevalecerão do outro lado das ideologias descrentes, orientados pelo Alcorão. Segue-se a seção da Rissale-i-Nur que com isto está relacionada:

  “Nesse ponto, quando a corrente parecer ser muito forte, a religião da verdadeira Cristandade, a qual compreende a personalidade colectiva de Jesus (que a paz esteja com ele), emergirá. Isto é, descerá dos céus da Divina Misericórdia. Face à realidade, a Cristandade actual será purificada; cortará com a superstição e com a distorção, e unir-se-á com as verdades do Islam. A Cristandade será, de fato, transformada numa espécie do Islam. Seguindo o Alcorão, a personalidade colectiva da Cristandade encontrar-se-á ao nível do seguidor, e o Islam no de líder.

Como resultado dessa junção, a verdadeira religião tornar-se-á uma poderosa força. Se bem que antes derrotados face à corrente ateísta, enquanto separados, Cristandade e Islam terão a capacidade de a desafiarem e derrotarem, como resultado da sua união. Então, a pessoa de Jesus (que a paz esteja com ele), que está presente com o seu corpo humano no mundo dos céus, virá para liderar a corrente da verdadeira religião, como, confiando na promessa do que é Poderoso Sobre Todas as Coisas, o Portador de Notícias Certas disse. Uma vez que ele falou disso, é verdade, e uma vez que o Único Poderoso Sobre Todas as Coisas o prometeu, Ele, com certeza, o provocará.”

  Em todas as sua descrições da segunda vinda, Bediuzzaman indica que, nesse período, Jesus (as) removerá todos os sistemas de descrentes. Adianta, também, que ele receberá grande apoio por parte dos Muçulmanos. Jesus (as) agirá como um Muçulmano e orará perante o imame dos Muçulmanos, e trabalhará em conjunto com as pessoas do mundo Islâmico que agem corretamente, e assumirá a liderança na expansão do Alcorão e dos seus ensinamentos, e removerá a progressiva violência do sistema dos descrentes:

  Serão os seguidores de Jesus verdadeiramente piedosos que matarão a gigantesca personalidade colectiva do materialismo e da irreligião que o Dajjal formará porque o Dajjal será morto pela espada de Jesus (paz estaja com ele) e destruirão as suas ideias e descrença, a qual é ateísta. Esses Cristãos verdadeiramente piedosos unirão a essência da verdadeira Cristandade com a essência do Islam e derrotarão o Dajjal, matando-o de fato. A narração: “Jesus (que a paz esteja com ele) virá e realizará as orações obrigatórias perante o Mahdi e seguí-lo-á”, alude a esta união, e à soberania do Alcorão e ao seu seguimento.